Recuperação do
derrame
Uma pessoa que pratica regularmente
exercícios físicos se recupera de acidente vascular cerebral
("derrame") mais rapidamente do que aquelas que não têm este
hábito, afirmam pesquisadores da Clínica Mayo, que coordenaram um
estudo de âmbito nacional, nos Estados Unidos.
O estudo, que foi publicado no Jornal de
Neurologia, Neurocirurgia & Psiquiatria, revelou que os
pacientes que se exercitavam regularmente, antes de sofrerem o AVC,
apresentaram sequelas menos graves e, portanto, ficaram em melhores
condições de cuidarem de si próprios, do que aqueles que raramente
faziam exercícios físicos.
Menor risco de derrame e
melhor recuperação
"O
preparo físico pode ser muito benéfico para as pessoas que têm
maior risco de sofrer um derrame cerebral", diz o neurologista da
Clínica Mayo, o médico James Meschia, um dos principais
pesquisadores do estudo. "Muitos estudos têm mostrado que o
exercício pode reduzir o risco de desenvolver um derrame cerebral.
Esse estudo, porém, sugere que, se uma pessoa sofrer um derrame
cerebral, apesar de seu hábito de se exercitar, as consequências
podem ser mais leves", declara.
O neurologista alerta, no entanto, que um estudo
de maior porte será necessário para validar essa descoberta. No
estudo concluído, foi necessário reconvocar 673 pacientes que
sofreram um derrame cerebral. Um novo estudo poderá, ainda, ajudar
a esclarecer se exercícios moderados ou vigorosos podem produzir
efeitos diferentes no processo de recuperação dos pacientes, diz
Meschia.
"Faz muito sentido o fato de um paciente se
recuperar mais rapidamente, quando praticava exercícios antes do
derrame", afirma o neurologista. "Um cérebro que, normalmente, tem
um bom fluxo de sangue e de oxigênio, graças a exercícios aeróbios,
certamente estará em uma posição bem melhor para compensar os
déficits neurológicos causados pelo derrame",
explica.
Benefícios dos exercícios
físicos
O derrame cerebral
é uma causa comum de incapacidade e morte entre pessoas com mais de
65 anos de idade, em todo o mundo. Nos Estados Unidos, os derrames
cerebrais são responsáveis por mais de 780 mil mortes por ano,
sendo a terceira maior causa de morte no país. O AVC também causa
incapacidades mais sérias do que qualquer outra doença, de acordo
com os Institutos Nacionais de Saúde, dos Estados Unidos.
Esse estudo é um dos primeiros a testar a
hipótese de que os benefícios do exercício se estendem além da
prevenção de derrames cerebrais. Os pesquisadores examinaram dados
colhidos por cientistas em quatro centros de saúde: a Clínica Mayo
de Jacksonville (Flórida) e a de Rochester (Minnesota), a
Universidade da Flórida e a Universidade de Virgínia, instituições
que participaram do Estudo Genético do Acidente Vascular Cerebral
Isquêmico. O estudo foi projetado para examinar fatores de risco
hereditários no derrame cerebral.
O
estudo
Os pacientes
participantes do estudo foram submetidos a tratamento de derrame
cerebral isquêmico agudo - o tipo mais comum de derrame, que
resulta em morte das células cerebrais, devido ao bloqueio do fluxo
de sangue em uma parte do cérebro.
Os pesquisadores revisaram um questionário
respondido pelos pacientes sobre a prática de exercícios antes do
derrame e três meses depois de ocorrido o AVC. Dos 673 pacientes
participantes, 50,5% relataram que, antes do derrame cerebral,
faziam exercícios menos de uma vez por semana; 28,5% faziam
exercícios de uma a três vezes por semana; e 21% deles praticavam
atividades físicas aeróbicas quatro vezes por semana ou mais.
Depois de contabilizar diferentes variáveis dos
pacientes, tais como idade, sexo, raça, massa corporal e histórico
médico, os pesquisadores descobriram que os exercícios físicos não
afetam o tamanho ou a gravidade do derrame cerebral, mas amenizam
as consequências causadas por um derrame. Os pacientes que
praticavam exercícios se saíram melhor em testes que avaliaram suas
habilidades de realizar atividades cotidianas.
Benefícios da vida
ativa
"Concluímos que os
pacientes que levam uma vida ativa podem se recuperar mais
rapidamente depois de um derrame cerebral, com tendência de se
observar melhores resultados nos exames realizados três meses mais
tarde", diz o neurologista. Os pesquisadores, no entanto, não
conseguiram determinar, com base nos dados da pesquisa, o "efeito
da dose" de exercícios - isto é, quanto exercício é necessário
fazer por semana para assegurar o melhor funcionamento do
organismo.



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