Estudo realizado por
pesquisadores do InCor (Instituto do Coração) de São Paulo
comprovou que praticar exercícios físicos regularmente modifica a
estrutura do LDL (colesterol "ruim"), tornando-o menos nocivo,
mesmo que não haja redução nos níveis medidos. Os dados foram
apresentado no Congresso Europeu de Cardiologia, realizado na
Espanha.
O estudo acompanhou 40 pessoas sedentárias - 30
eram portadoras de síndrome metabólica (conjunto de fatores, como
alterações nas taxas de colesterol e aumento da gordura visceral,
que elevam o risco de doença cardiovascular).
Os outros dez serviram como grupo controle. Dos
pacientes com a síndrome, 20 foram submetidos a três sessões
semanais de exercícios na bicicleta ergométrica, durante 45
minutos, ao longo de três meses. Os demais foram
acompanhados.
O objetivo era verificar a mudança nas
propriedades funcionais das moléculas de LDL depois da prática de
exercícios.
Para isso, os cientistas avaliaram as
características do HDL (colesterol "bom") e a resistência à
oxidação do LDL (colesterol "ruim"). A oxidação é o início da
inflamação que leva ao acúmulo de colesterol no sangue e à formação
de placas de gordura nas paredes dos vasos.
Os pesquisadores constataram que os níveis de
colesterol total, LDL e HDL não mudaram após o treinamento. No
entanto, as taxas de triglicerídeos caíram e a resistência à
oxidação do LDL aumentou.
As moléculas de LDL também ficaram maiores e
menos densas, o que significa que elas perdem a capacidade de se
depositar na parede dos vasos.
"Observamos que, desde o
início, o exercício modifica as composições e as características
funcionais das partículas de HDL e LDL. Isso reforça o conselho aos
que fazem exercícios e não apresentam de imediato alterações
importantes nas concentrações dessas partículas", explica o
cardiologista Antonio Casella, líder do
estudo.
"Há um benefício invisível",
diz o cardiologista Fernando Cesena, co-autor do estudo.
Antioxidante
O fato de que a prática de exercícios físicos
diminui o risco de doenças é conhecido há bastante tempo. O que
esse estudo fez foi mostrar de que maneira o exercício age nas
moléculas de colesterol.
"Esse trabalho é mais uma prova de que o
exercício funciona como antioxidante, deixando as moléculas do LDL
menos tóxicas. O exercício físico proporciona o mesmo benefício de
beber uma taça de vinho diariamente", avalia o cardiologista
Marcelo Ferraz Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia Molecular
do Hospital Dante Pazzanese.
De acordo com Sampaio, o fato de os níveis de colesterol total não
terem reduzido não atrapalha o benefício proporcionado pelos
exercícios. "É possível dificultar o processo de oxidação sem
reduzir quantitativamente os níveis de colesterol. Os exercícios
alteram a qualidade dessas moléculas."
Só recentemente pesquisadores começaram a
desconfiar que os riscos ao coração não tinham relação apenas com o
número absoluto da quantidade de moléculas em circulação. Isso
porque eles observavam que muitos pacientes infartados chegavam ao
hospital com altas taxas de HDL , conhecido por seu efeito
protetor.
Daí que alguns estudos começaram a mostrar que
há vários subtipos de LDL e de HDL, de acordo com o tamanho e a
densidade das partículas. No caso do LDL, as menores e mais densas
são mais aterogênicas porque, entre outros motivos, penetram na
parede dos vasos com mais facilidade e são mais suscetíveis à
oxidação.
Baseadas nesse tipo de descoberta, algumas
pesquisas já sugerem que a densidade das partículas de LDL, e não a
mudança nos níveis sanguíneos, é um melhor marcador dos riscos
cardiovasculares.
Fonte: Folha Online



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